O que esta ferramenta estima
Esta ferramenta produz um peso fetal estimado (PFE) em gramas utilizando a fórmula de regressão de quatro parâmetros de Hadlock 1985. A estimativa deriva de quatro medidas de ultrassom padrão: diâmetro biparietal (DBP), perímetro cefálico (PC), perímetro abdominal (PA) e comprimento do fémur (CF). Todos os quatro valores são introduzidos em milímetros e convertidos automaticamente para centímetros antes da aplicação da equação.
O resultado é uma estimativa única de peso em gramas. A ferramenta não atribui um percentil de idade gestacional, não compara o feto com uma curva de crescimento, nem classifica o resultado como normal, pequeno ou grande para a idade gestacional. Essas interpretações exigem contexto clínico adicional que esta ferramenta não fornece.
A equação de Hadlock 1985
A fórmula utilizada nesta ferramenta foi publicada por Hadlock e colaboradores em 1985. É um dos modelos mais amplamente citados e clinicamente validados para a estimativa ultrassonográfica do peso fetal. A equação é uma regressão linear com transformação logarítmica que combina os quatro parâmetros biométricos com termos de interação:
log₁₀(PFE) = 1,3596 + 0,0064 × PC + 0,0424 × PA + 0,174 × CF + 0,00061 × DBP × PA − 0,00386 × PA × CF
Todas as medidas estão em centímetros. O peso fetal estimado em gramas é então obtido elevando 10 à potência do resultado:
PFE (g) = 10^(log₁₀(PFE))
Esta equação reconhece que nenhuma dimensão fetal isolada capta adequadamente o tamanho global. Os termos de interação — DBP × PA e PA × CF — refletem a realidade de que o tamanho da cabeça, a circunferência abdominal e o comprimento dos membros influenciam o peso em combinação, e não isoladamente.
Valores de entrada necessários
A ferramenta requer quatro medidas, cada uma obtida durante um exame de ultrassom padrão do segundo ou terceiro trimestre:
- DBP (Diâmetro Biparietal) — o diâmetro transversal do crânio fetal ao nível dos tálamos, medido da borda externa à borda interna, em milímetros.
- PC (Perímetro Cefálico) — o perímetro da cabeça fetal medido no mesmo plano axial do DBP, em milímetros.
- PA (Perímetro Abdominal) — o perímetro do abdómen fetal medido num plano transversal ao nível do estômago e da veia umbilical, em milímetros.
- CF (Comprimento do Fémur) — o comprimento da diáfise ossificada do fémur, em milímetros.
As quatro medidas devem ser obtidas durante o mesmo exame de ultrassom para garantir consistência anatómica. A ferramenta converte cada valor de milímetros para centímetros dividindo por 10 antes de os substituir na equação.
Exemplo resolvido
Considere uma ecografia de rotina do terceiro trimestre com as seguintes medidas:
- DBP: 80 mm (8,0 cm)
- PC: 300 mm (30,0 cm)
- PA: 280 mm (28,0 cm)
- CF: 60 mm (6,0 cm)
Substituindo na equação de Hadlock 1985:
log₁₀(PFE) = 1,3596 + 0,0064 × 30,0 + 0,0424 × 28,0 + 0,174 × 6,0 + 0,00061 × 8,0 × 28,0 − 0,00386 × 28,0 × 6,0
Decompondo passo a passo:
- 0,0064 × 30,0 = 0,192
- 0,0424 × 28,0 = 1,1872
- 0,174 × 6,0 = 1,044
- 0,00061 × 8,0 × 28,0 = 0,13664
- 0,00386 × 28,0 × 6,0 = 0,64848
Somando os termos: 1,3596 + 0,192 + 1,1872 + 1,044 + 0,13664 − 0,64848 = 3,27096
Elevando 10 a esta potência: 10^3,27096 ≈ 1.866 gramas.
O peso fetal estimado é, portanto, de aproximadamente 1.866 g, ou cerca de 1,87 kg. Este exemplo ilustra como os termos de produtos cruzados moderam a contribuição bruta do PA e do CF, impedindo que o termo do perímetro abdominal domine indevidamente a estimativa.
Como interpretar a estimativa
O número que esta ferramenta devolve é uma estimativa, não uma medição. É derivado de um modelo estatístico ajustado a uma população de gestações e representa o peso mais provável dados os quatro valores biométricos de entrada, sob os pressupostos desse modelo. O resultado deve ser tratado como um ponto de dados entre muitos numa avaliação pré-natal.
Apenas um profissional de cuidados pré-natais qualificado — como um obstetra, um especialista em medicina materno-fetal ou um ecografista — pode interpretar adequadamente as tendências de crescimento fetal. As estimativas de peso ganham significado quando representadas em série ao longo do tempo, comparadas com curvas de crescimento populacionais apropriadas e avaliadas em conjunto com estudos Doppler, índices de líquido amniótico e fatores de saúde materna. Um valor isolado de PFE, considerado por si só, não constitui um diagnóstico e não deve ser utilizado para tomar decisões clínicas.
Esta ferramenta não fornece aconselhamento médico, não recomenda qualquer linha de ação e não substitui os cuidados pré-natais profissionais. Se tiver preocupações sobre o crescimento fetal ou a sua gravidez, fale com o seu prestador de cuidados de saúde.
Precisão e limitações
A fórmula de Hadlock 1985 apresenta um erro percentual absoluto médio reportado tipicamente na faixa de 7 a 10 por cento quando comparada com o peso ao nascer até 48 horas após o parto. Isto significa que, para um feto com um peso estimado de 2.000 g, o peso real ao nascer pode razoavelmente situar-se entre aproximadamente 1.800 g e 2.200 g — e, por vezes, fora desse intervalo.
Vários fatores contribuem para este erro. A técnica de medição por ultrassom introduz variabilidade: mesmo ecografistas experientes podem obter posicionamentos de calibrador ligeiramente diferentes no mesmo feto, e pequenas diferenças na medição do PA têm um efeito desproporcionadamente grande na estimativa final do peso, porque o PA é o termo com maior peso. A posição fetal, o hábito corporal materno e o volume de líquido amniótico podem todos degradar a qualidade da imagem e a precisão da medição.
O modelo foi desenvolvido a partir de uma população específica de gestações nos Estados Unidos em meados da década de 1980. Pode ter um desempenho diferente em populações contemporâneas, em gestações complicadas por condições como diabetes gestacional ou restrição de crescimento intrauterino, nos extremos de peso fetal e em populações com perfis étnicos ou demográficos diferentes. A equação não tem em conta o sexo fetal, a altura ou o peso materno, a paridade ou a idade gestacional — todos eles fatores que podem influenciar o peso ao nascer independentemente das medidas biométricas.
Esta ferramenta reporta uma única estimativa de peso. Não calcula um percentil de idade gestacional, intervalo de confiança ou intervalo de predição. Sem um percentil, não é possível avaliar se o peso estimado é adequado para a idade gestacional. As decisões clínicas sobre o momento do parto, a via de parto ou a frequência de vigilância nunca devem basear-se apenas num único valor de PFE.
Fontes
- Hadlock FP, Harrist RB, Sharman RS, Deter RL, Park SK. Estimation of fetal weight with the use of head, body, and femur measurements — a prospective study. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 1985;151(3):333–337. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3881966/
- American College of Obstetricians and Gynecologists. Ultrasound Exams. https://www.acog.org/womens-health/faqs/ultrasound-exams
Registo editorial
Este artigo foi redigido pela Equipa Editorial do SoupCalc para fornecer documentação transparente da fórmula de estimativa de peso fetal de Hadlock 1985 e do seu contexto clínico. Baseia-se na publicação original revista por pares e nas orientações públicas do American College of Obstetricians and Gynecologists. O conteúdo é revisto periodicamente para garantir a precisão e refletir quaisquer atualizações relevantes nas orientações clínicas. Autor: Equipa Editorial do SoupCalc Última revisão: 11 de agosto de 2026.